terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tá no inferno, beija Satanás

Ouvíamos o som ao longe, o som conhecido do bom e velho forró pornográfico tão apreciado pela população local, que dança e bebe e fuma e grita e come um churrasquinho de gato com muita satisfação, mais um pouco de pimenta por favor. Compramos a bebida barata e ficamos um pouco embreagados antes de enfrentar o quarto dia do festival do bagre, decididos a encontrar Satanás e talvez algumas garotas bêbadas quem sabe. Camisas de marca, originais, falsificadas, do mesmo modelo do ator da novela das sete, bonés maresia, vodka de cinco reais e cabelos falsificados, tudo isso vimos enquanto entrávamos. Porra alguma coisa não é falsificada aqui, o cabelo dela, a camisa dele, os peitos dele, achei estranho, só o mundo girando dentro de mim parecia real, bem real até. Pra quem acha que eu sou um bêbado saibam quais eram as bandas principais, Harmonia do Samba e Baby Som, era preciso coragem e vinho pra enfrentar tudo isso, muito vinho, exclamo. Entramos sem ser revistados pelas autoridades pois não éramos negros e por isso não podíamos ameaçar a paz do local, segundo alguns.

Ali era grande o movimento, bolas de um real e batmans de plástico faziam a alegria das crianças, já produzidas para a festa, um pouco de maquiagem aqui e ali, era ótimo saber que os pais das crianças confiava nos policiais que faziam a segurança do lugar, houve algumas facadas talvez e brigas e murros, mas tudo muito ameno disseram, sim, para não esquecer houve tiros também, mas realmente não existia tanto perigo assim ,digamos, dessas crianças serem atacas por pedófilos ou pervertidos sexuais psicóticos malucos pois tinha ocorrido um show católico um dia antes de modo que seria difícil encontrar algum clérigo ali. Entramos na multidão eufórica com alguma banda, que não me recordo o nome, interpretava a música Vai na fuleragem. "Musica da porra",, gritou um bêbado ao meu lado que mexia o corpo como uma serpente do inferno agarrado com uma senhora já de idade,uns 50 anos, mas bem animada, eles faziam um movimento estranho, que me remeteu ao filme Titanic, eles abriram os braços, olharam para o céu e sentiram o iceberg de prazer, cena assustadora. Entrei na multidão com meus amigos e começamos a ser esmagados pelos casais dançando, interessante notar o grande números de mulheres de massa corporal alternativa, gordas mesmos, que adoram dançar, muitos casais assim, muito amor, muito suor e cerveja. Se passaram duas horas e não consegui pegar o ritmo da música, bebi muito, mas nem assim, não era o meu dia, ouvi Vai na paredinha, vai na paredinha, cem vezes, essa é a música clássica da banda, e não consegui. Tentei me enturmar com o os dançarinos que na sua maioria se encontravam na parte da multidão onde se concentrava a classe baixa, mais afastada do público se encontarava os da classe média alta, na maioria turistas com suas redbulls, no meio os da classe média e o povo da cidade e mais a frente, os da classe baixa abaixo.

Lá, fui surpreendido por um grande número de dançarinos, na sua maioria homossexuais, fui abordado por um grupo, "Hey, vem cá", disseram com o olhar malicioso. Saí o mais rápido dali e resolvi investir mesmo sem saber dançar, "Hey, sabe, não sei dançar, podemos apenas conversar e partir para a parte boa", perguntava para as garotas que estavam só, "Não, se enxerga cara", foi o que mais ouvi. Resolvemos voltar, olhamos pro lado e vimos dezenas de bêbados urinando na lagoa, talvez fosse um protesto para alertar as autoridades da situação da mesma, não sei, outros bêbados vomitavam nos obrigando a ficar sempre alertas. Voltamos aos outros dois dias do festival e não foi muito diferente, ainda aprendo a dançar.

Texto cedido por Jonas Caio.

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